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26.10.02
by Glaucia
Experimento do medo:
Ratos foram expostos a uma coleira que havia sido utilizada por gatos domésticos. A exposição aconteceu em uma arena retangular que continha uma pequena caixa de madeira ("caixa de esconder"). Ratos expostos ao odor pemaneceram mais do que 87% do seu tempo na "caixa de esconder". Ratos expostos ao odor controle gastaram menos do que 20% do seu tempo se encondendo. Uma hora após a sessão os ratos foram mortos e a reatividade de Fos comparada a ratos controles que ficaram em suas casas. O gene Fos foi detectado em níveis muito maiores em cérebros dos ratos amedrontados. Este é um gene normalmente associado ao cancer que agora também parece estar associado ao medo.
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26.10.02
by Glaucia
Medo
Quando se faz uma busca sobre o Medo nos bancos de dados publicos da Ciência aparecem vários trabalhos sobre dentistas. Eu sempre achei que as práticas odontológicas eram mais ou menos do pleistoceno mas não sabia que existiam tantos trabalhos sobre o medo de se ir ao dentista.
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25.10.02
by Glaucia
May the force be with you
Já funciona em Amsterdam um laboratório de realidade virtual que permite a visualização dos genes em seus cromossomos mostrando inclusive os seus níveis de expressão. Numa sala escura o genoma se parece com uma galaxia. Com um mouse que se parece um sabre de luz o operador seleciona clusters de genes e associa possíveis alvos de novas drogas. O software se chama Saragene. Que a força esteja com você.
http://www.sciencemag.org/cgi/content/full/298/5594/737
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25.10.02
by Glaucia
O quanto somos macacos
Até esta semana achava-se que os humanos diferiam dos chimpanzés somente em 1.5%. Agora descobriram que na verdade as diferenças são maiores. Do ponto de vista evolutivo isso vai ser uma revolução pois novas teorias de como estas duas espécies divergiram deverão surgir em breve. Isso deve também dar novo fôlego ao projeto de sequenciamento do genoma do chimpanzé. Somente assim poderemos saber de fato qual a porcentagem de diferença entre nós e estes macacos.
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24.10.02
by Glaucia
O mito dos alimentos orgânicos
Produtos orgânicos são facilmente encontrados em supermercados hoje em dia. A agricultura orgânica se diz menos nocível ao meio ambiente, protegendo o solo, poluindo menos, e proibindo a utilização de pesticidas, herbicidas e adubos sintéticos. Não existe no entanto nenhuma evidência de que estas práticas tornam os alimentos melhores ou o ser humano mais saudável ao consumi-los. Os produtos orgânicos são mais caros, produzidos em menor escala e apresentam um menor conteúdo em proteínas. Testes rigorosos falharam em provar que estes são mais saborosos. E o não combate a alguns fungos que contaminam estas culturas e produzem micotoxinas que causam cancer tornam alguns destes alimentos bem pouco recomendáveis. Até que experimentos provem o contrário, as vantagens dos alimentos orgânicos ainda são um mito. De fato, a taxa de cancer de estomago diminuiu em 50% porque a agricultura convencional colocou na nossa mesa muitas frutas e verduras baratas por serem produzidas em larga escala.
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24.10.02
by Glaucia
O que uma narina cheira a outra não fica sabendo.
Não há transferência de informações a nível de narinas. Agora descobriram que o cérebro pode ensinar uma narina a cheirar aquilo que a outra aprendeu. Existem vários odores que nós humanos não detectamos de primeira. Mas se somos repetidamente submetidos a estes começamos a senti-los. A novidade agora é que viram que, se somente uma narina for estimulada a outra acaba aprendendo porque o cérebro transmite a informação. OK, OK, eu sei que isso é meio bobo, mas não foi trivial descobrirem isso. Tá na Nature.
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24.10.02
by Glaucia
Melhor não saber
O sequenciamento do genoma humano foi só um primeiro passo na direção de novos tratamentos e diagnósticos que prometem acabar com muitas doenças. Muitas biotech companies agora se dedicam freneticamente a procurar os tais "marcadores moleculares" de doenças. Com estes são desenvolvidos kits de diagnóstico que podem dizer se nós temos ou não mutações nos tais genes. Muitas vezes não existe vantagem alguma em sabermos. Isso porque se não existe ainda uma cura para a doença, só vamos ficar preocupados com a possibilidade de a desenvolvermos e não podemos fazer nada. Alguns kits portanto nunca vão para o mercado. O kit de diagnóstico de Alzheimer no entanto foi. Já rendeu milhões para uma company. Muita gente já foi testada nos Estados Unidos. Sem saber muito bem que não há ainda uma cura. O Alzheimer causa demência e perda progressiva da memória. Os bioeticistas estão agora preocupados com a questão. Não é aconselhável se revelar a uma pessoa uma probabilidade de que ela va perder as faculdades mentais.
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21.10.02
by Glaucia
O glamour do espaço
Quando eu era criança queria ser astronauta. Ai me disseram que a Nasa não aceitava míopes. Como eu tinha astigmatismo sempre fiquei em dúvida mas decidi que então eu iria ser cientista. Esta semana saiu um comentário na Nature sobre a real necessidade de mandarmos astronautas pro espaço. Aparentemente o maior argumento é que os astronautas desenvolvem nestas missões habilidades que permitiriam mandarmos mais astronautas pro espaço. Não é um argumento muito bom. A Estação Espacial é um projeto que já dura 18 anos e US$ 20 bilhões de dólares depois ainda não sabem muito bem o que fazer com ela. Agora querem colocar até 2020 mais 20 estações em L2 (Lagrangian point) com telescópios que seriam mantidos por robôs. E aí não precisariamos mais de astronautas. Puxa vida, ainda bem que eu decidi ser cientista. Depois da estoria de que os buracos negros não existem, o espaço está ficando sem glamour.