She blinded me with science

Sexta-feira


Células tronco para engenharia de tecidos
Uma das alternativas para a falta de doadores de órgãos é a utilização de células tronco na engenharia de tecidos. Uma das idéias é a retirada de um núcleo de uma célula somática do paciente seguida da tranferência deste núcleo para um oócito. Do embrião formado se retirariam as células tronco que seriam cultivadas e estimuladas a se diferenciarem no tecido desejado. Este tecido seria então implantado no paciente. Como o novo tecido seria originário do próprio paciente isso diminuiria os riscos de rejeição. Esta tecnologia, no entanto, poderia estar sujeita aos mesmos problemas de metilação e reprogramação associados com os clones., e não deverá ser utilizada até que a sua segurança esteja comprovada.


A tecnologia de transferência nuclear
É admirável que o núcleo de uma célula somática possa formar um organismo completo se transferido para um oócito sem núcleo. Os avanços desta tecnologia, denominada transferência nuclear podem agora ser aplicados no melhoramento genético de animais de criação, salvar espécies em extinção, auxiliar na reprodução assistida e na engenharia de tecidos humanos. Desde julho de 1998 o Japão produziu mais de 200 bezerros clonados. Recentemente eles reportaram os problemas desta tecnologia. Mais da metade nasceu morto ou morreu em alguns meses após o parto. A razão pela qual o sucesso desta tecnologia é limitado parece residir na incompleta reprogramação do programa genético da célula clonada. O DNA da célula é metilado durante o seu desenvolvimento e o padrão de metilação indica a atividade ou silenciamento dos genes de cada tecido. Animais clonados tem padrão de metilação variado indicando que a reprogramação varia de clone para clone.


Quinta-feira


Biopilha
Pesquisadores do Texas desenvolveram um bateria que usa combustíveis encontrados no nosso organismo como fonte de energia. A eletricidade é produzida quando a glicose reage com o oxigênio em processos metabólicos que ocorrem naturalmente em todas as células. Uma enzima que retira elétrons da glicose é conectada por fibras de carbono a outra enzima que os doa ao oxigênio fechando o circuito. A pesquisa ainda é preliminar pois a pilha se descarrega em alguns dias. Mas o potencial de uso para manutenção de órgãos artificiais implantados é enorme.


Quarta-feira


A questão do clone
Imagina-se que eventualmente será possível tornar a clonagem humana um processo seguro. Se isso ocorrer, continuaremos sendo contra?
Os argumentos mais comumente apresentados no combate a criação de clones humanos são fracos e facilmente refutados.
(1) O processo de clonagem iria diminuir a nossa individualidade e sensação de sermos únicos. Quase todos concordam que um indivíduo é mais do que o seu genoma portanto um indivíduo clonado continuaria a ser um indivíduo único assim como os gêmeos homozigóticos.
(2) A clonagem diminuiria o valor do ser humano. O valor de um ser humano não se baseia na sua sequência de nucleotídeos e sim numa série de caracteres culturais e morais inerentes a cada sociedade. Portanto um clone não deveria ser tratado como um ser inferior ou ter seus direitos diminuídos na sociedade por ter sido clonado.
(3) A capacidade do clone de construir a sua vida seria abalada pelo conhecimento das escolhas e características do gêmeo que o precedeu. O conhecimento das escolhas do clonado não determina as escolhas do clone. Ele continuaria a ser capaz e livre para desenhar a sua vida livremente, e muito provavelmente nunca seria exposto as mesmas oportunidades que o clonado ao longo de sua história.
(4) É pecado. Acho que este eu vou deixar sem comentar.
Alguém tem mais algo contra?


Segunda-feira


Terapias controversas
Em 1978 nasceu o primeiro bebê de uma fertilização in vitro. Louise, o bebê de proveta. Desde então milhares de clínicas têm gerado embriões em laboratório. Tipicamente vários embriões são gerados no processo e somente alguns implantados. Os demais são descartados ou armazenados. A partir das células de um embrião podemos isolar as células tronco embrionárias. Em 1998 assistimos aos primeiros sucessos na remoção de células tronco de embriões e fetos abortados humanos. Estas células tem a capacidade de se transformar em qualquer célula e tecido do corpo humano e seriam muito valiosas no reparo de órgãos e tecidos doentes. O potencial terapêutico destas células é grande podendo ser utilizadas na regeneração de tecidos cardíacos, na cura de doenças neurodegenerativas, na diabetes, na regeneração de traumas da coluna e no cancer, entre outros. O maior problema da pesquisa nesta área é ético. Várias religiões consideram proibitiva a pesquisa com embriões humanos. O processo reprodutivo humano, que sempre foi dominado pelo instinto e pela paixão, agora deverá sofrer uma intervenção governamental. O Brasil ainda discute a questão, muitos países estão desenvolvendo estas terapias, enquanto outros buscam alternativas a utilização de embriões.


Domingo


O gene saiu da garrafa
A clonagem reprodutiva teve o seu primeiro aclamado sucesso em 26 de dezembro de 2002. Uma cientista francesa anunciou na Flórida que o primeiro clone humano havia nascido e se chamava Eva. As maiores potências científicas, em sua maioria de formação cristã, haviam se adiantado e proibido a criação de clones humanos quando a possibilidade se tornou real com o nascimento dos clones de ovelhas. Os responsáveis pela criação de Eva nem se abalam com dilemas éticos, filosóficos ou religiosos. Afinal, eles sabem que a raça humana se originou de clones Raelianos. E não acreditam em Deus já que o Universo sempre existiu. A maior razão da proibição da clonagem reprodutiva no entanto é o seu alto risco. É fato que os clones nascem com defeitos. Quando nascem. A grande maioria dos embriões gerados natural ou artificialmente nunca chegam a vingar. Se algo está errado o processo é descontinuado e temos um aborto. Muitas vezes o feto nem se implanta. Na clonagem reprodutiva o sucesso é ainda menor. Em primatas simplesmente não funciona. Mas tudo isso ainda não exclui a possibilidade de que os Raelianos tenham dominado a tecnologia e criado realmente o clone. Será saudável? Tudo indica que não. Em todos os mamíferos testados até o momento a reprogramação genética não é perfeita. Quem sabe eles conseguiram dominar todo o desenvolvimento da célula também? A única maneira de sabermos se os Raelianos tem realmente mãozinhas de ouro será um teste do DNA da clonada e de clone. Mas desconfio que a dúvida persistirá por muito tempo pois vamos acabar vendo uma batalha judicial sobre a veracidade do clone. E enquanto isso muita gente vai ser "clonada", os Raelianos vão ficar ricos, confirmaremos que os clones são falsos, os doadores de células vão processar os Raelianos, que vão por a culpa nos ETs…
Fazer o que? O gene saiu da garrafa…


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