She blinded me with science

Sábado


O que nos leva aos 100 anos?
Estudos com centenários começam a nos dar dicas do que nos leva a longevidade. Uma das dicas é de que processos inflamatórios possam estar envolvidos. Pessoas que ultrapassam os 100 anos de idade possuem altos níveis da citocina anti-inflamatória IL-10, e baixos níveis da citocina pró-inflamatória IL-6. A IL-6 é produzida pelos músculos e ossos com a idade, e está associada à perda de massa e força muscular que leva a fragilidade dos idosos e a osteoporose. Outras doenças da idade que também estão relacionadas com reações inflamatórias são o Alzheimer e a artrite. Se calcula que 25 a 30% da longevidade seja genética, e que os homens sejam mais afetados do que as mulheres. Isso porque as mulheres são protegidas por homônios que "tamponam" os processos inflamatórios para protege-las em caso de gestação.


Sexta-feira


A nova geração de peixes
Uma biotech americana aguarda ansiosamente a liberação da comercialização de um salmão transgênico que expressa um gene de uma outra espécie de salmão do Pacífico. O gene super-expresso é um gene de um hormônio de crescimento que faz com que o salmão cresça duas vezes mais rápido com menos comida. A liberação da comercialização ainda está sendo estudada por medo que este peixe transgênico fuja das fazendas de criação e cruze com peixes selvagens transmitindo o transgene para as populações naturais. A mesma companhia irá solicitar em breve a liberação de uma truta transgênica. Os chineses estão a caminho de liberar carpas transgênicas. E Cuba está adiantada com tilapias que crescem acelerado, já tendo inclusive feito testes com humanos que se alimentaram destes peixes.


Restrição calórica e longevidade
Foi demonstrado há algum tempo atrás que a diminuição da quantidade de calorias ingeridas levava a um aumento do tempo de vida. Mas não se sabia ainda se este aumento da longevidade era devido à consequente diminuição da quantidade de gordura corporal acumulada. Para testar se a simples diminuição da gordura de um organismo levava a um aumento da longevidade camundongos transgênicos foram gerados que tinham o receptor da insulina nocauteado. Estes camundongos são magrinhos e não acumulam tecido gorduroso, mesmo com uma dieta normal. E, vivem 20% a mais que os camundongos normais. Mais um motivo para evitarmos dietas gordurosas e muito calóricas.


Terça-feira


Siga a cafeína
A quantidade de cafeína encontrada em lagos e rios está sendo utilizada como uma estimativa da contaminação destes por esgotos. Até recentemente se utilizava como medida os coliformes fecais. Mas como animais também os produzem, a cafeína está sendo escolhida para medidas de quanta água utilizada pelos humanos está sendo jogada nos mananciais. Já se pensou em utilizar o branqueador das pastas de dentes e alguns remédios e cosméticos, mas a maioria é destruída completamente pelas estações de tratamento. 0.1% da cafeína sobrevive. Mas como consumimos muita cafeína isso já é suficiente para a sua utilização como um traceador. (Em média um humano urbano elimina por dia no esgoto o correspondente a 1 décimo de xícara de café. Essa vem dos restos que sobram, na xícara, na garrafa, e da urina).


Segunda-feira


Xenotransplantes
Uma das alternativas a falta de doadores de órgãos seria o transplante de órgãos de animais em homens (xenotransplantes). Os órgãos de porcos, que aparentam ter o sistema de reconhecimento do "self" mais parecido com os humanos, são candidatos em potencial para causar menor rejeição. Mas mesmo assim, ainda temos muitos casos de rejeição hiperaguda causada por um antígeno já identificado. Um grupo agora conseguiu nocautear a enzima que adiciona o antígeno que causa a rejeição. Estes porcos transgênicos poderão agora ser testados em transplantes e possivelmente teremos muitos humanos felizes com um coração suino.


Domingo


Satisfaction
Wolfgang Enard , guitarrista e genomicista de chimpanzés, opina sobre o que satisfaz um cientista (e o que não):
Satisfaction lies in the understanding of a process, and the process of how one communicates this understanding. But when the process is over, frustration sets in. It is maybe like finding a song, working on it, playing it — and then having to play it over and over again.


O dilema dos clones humanos
A ciência é propagada pela publicação de artigos científicos em revistas com "pier review". Isto quer dizer que para que um trabalho seja visto, aceito e reproduzido, ele deve antes passar por um painel de revisores composto por cientistas da área de atuação da pesquisa em questão. Apesar do evento "clone raeliano" aparentar ser somente um golpe publicitário, em breve podemos voltar a polêmica. Dois pesquisadores, Zavos e Antinori, clamam em breve nos presentear com clones humanos. E que vão submeter a comprovação da veracidade da afirmação para publicação. A possibilidade de clonagem humana já existe há 5 anos mas isso não significa que deva ser feita. Os riscos são muito altos. Mas, se um artigo for submetido, o que fazer com ele? O mundo deve/quer saber a receita da clonagem humana? Algumas revistas científicas exigem que a pesquisa com humanos tenha a aprovação de comitês éticos. A Nature exige também que a pesquisa siga o código de Nuremberg (que regulamenta experimentos com seres humanos). Mas muitas revistas não são tão rígidas. E possivelmente em breve teremos relatos que propagarão este complicado capítulo da nossa estória.


Células tronco tipo exportação
O primeiro carregamento de células tronco de Israel está a caminho. As células tronco foram isoladas de embriões produzidos em clinicas de infertilidade que não foram implantados e de fetos abortados com até 9 semanas. A Alemanha receberá amostras que serão estudadas quanto ao seu potencial de se tornarem células nervosas. A legislação alemã permite a pesquisa com células tronco mas não permite a sua produção. Israel é um dos poucos países que permite o isolamento de células tronco de embriões humanos. Os outros são o Reino Unido, Singapura, Suécia e Coréia do Sul.


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